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Falências do transporte público dificultam o acesso às atividades da Unipampa




O retorno das atividades presenciais nos campi da Unipampa, ao proporcionar encontros que há mais de dois anos eram esperados pela comunidade acadêmica, também tornou mais evidente a série de dificuldades estruturais que cerca a realidade da instituição. Além das complicações cotidianas que aparecem como consequência de novos cortes de gastos por parte do governo federal, a falência no sistema de transporte público das cidades do Rio Grande do Sul acaba tornando muitas vezes inviável a presença de servidores e estudantes nos compromissos presenciais.


A situação mais grave em relação ao transporte público ocorre, neste momento, no campus de São Gabriel. Cabe lembrar que a sede da Unipampa no município gabrielense se situa fora do limite urbano da cidade, às margens da BR 290, a oito quilômetros do centro, o que torna indispensável o serviço de transporte dos bairros para o local de atividades da instituição. Desde o retorno da presencialidade obrigatória, no começo do semestre vigente, o acesso aos ônibus que percorriam a rota universitária se mostrou precário; semanas depois, no entanto, a situação se esfacelou e os ônibus foram retirados de circulação.


Professor da Unipampa em São Gabriel e representante da Sesunipampa, Rafael Cruz relata que as condições do transporte público na cidade foram se deteriorando de maneira atípica. Com o retorno das aulas, a empresa concessionária junto à Prefeitura havia eliminado uma das duas linhas que alcançava o campus, reduzindo assim a oferta e a amplitude de horários. Semanas depois, os percursos da única linha restante foram novamente reduzidos, tornando inviável a viagem à sede da Unipampa em determinados momentos do dia – forçando o remanejo de atividades e o improviso como método para docentes e para o pessoal técnico em educação, além de estudantes.


Houve mobilização por parte da comunidade acadêmica local, que contou com o apoio de outras populações desassistidas, como populações assentadas da reforma agrária. No entanto, a Prefeitura e a empresa concessionária não entregaram melhorias no serviço e a oferta seguiu rareando ainda mais, com a abrupta retirada de um dos horários do turno da noite, o que exigiu que as atividades no campus terminassem mais cedo, desrespeitando os períodos determinados para as aulas noturnas. Recentemente, o agravamento se transformou em eliminação do serviço: sem aviso prévio, os ônibus deixaram de circular e as atividades tiveram de ser suspensas pela impossibilidade de se realizar os trajetos entre o centro, os bairros da cidade e o campus.


Estudantes buscaram a Câmara de Vereadores de São Gabriel e o Ministério Público em busca de soluções imediatas, pois se encontravam sem o direito de acompanhar as aulas e as atividades de pesquisa e extensão. A universidade, por sua vez, deixava de atender uma demanda essencial da comunidade acadêmica. Das autoridades, estudantes ouviram que uma nova licitação estava prevista para substituir a empresa responsável pelo transporte público – sem data efetiva para a retomada do serviço, a Prefeitura disponibilizou veículos do transporte escolar para alguns horários, enquanto a Unipampa buscou micro-ônibus para reforçar os horários de pico. A saída improvisada, entretanto, esteve longe de suprimir as necessidades de estudantes, trabalhadoras e trabalhadores no trajeto exigido.


“Até que a crise do transporte público em São Gabriel seja resolvida, cabe à Unipampa, através do uso de veículo próprio ou terceirizado, oferecer o transporte, com oferta de vagas e horários que permitam que as atividades acadêmicas possam ser desenvolvidas de acordo com o calendário acadêmico e com os Planos de Ensino. Somos uma instituição federal que está sendo paralisada em função da ausência do provimento de transporte público, essencial para a realização do direito ao ensino de estudantes. Dessa forma, como as instâncias municipais e estaduais não efetivaram as soluções, solicitamos que a reitoria encaminhe a denúncia e providencie as ações judiciais e extrajudiciais cabíveis para a imediata resolução desta grave crise institucional”, escreveu Rafael Cruz, ao sintetizar o problema vivido no local.


Neste momento, a comunidade acadêmica aguarda pelo andamento da nova licitação e monitora as soluções temporárias oferecidas pelas instituições. A falência do transporte público em São Gabriel, claro está, não se apresenta como um problema isolado, mas como precarização integrada ao sucateamento das universidades públicas, em especial as que têm lugar no interior do país, e sintoma da desconsideração que as prefeituras da região têm destinado à Unipampa.


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