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Insuficiência de recursos para transporte e saídas de campo prejudica atividades na Unipampa



Para vários dos campi da Unipampa, as saídas de campo significam parte essencial do trabalho docente e da formação dos e das estudantes: seja para visitar empreendimentos rurais, acessar comunidades afastadas dos núcleos urbanos ou promover práticas pedagógicas para além das salas de aula. Várias dessas práticas, inclusive, estão presentes nos currículos acadêmicos como atividades indispensáveis para o desenvolvimento do curso. No entanto, a falta de recursos para o transporte de estudantes e docentes faz com que as saídas de campo e, em geral, a situação do transporte, estejam fortemente prejudicadas. Outro desafio será garantir estrutura de transportes para as diversas atividades previstas a partir da curricularização da extensão, já uma realidade para os cursos a partir deste ano, o que aumentará a demanda por veículos.


Um dos exemplos dessa dificuldade é relatado por Carla Crivellaro, docente do curso de Educação no Campo em Dom Pedrito. “Todos os cursos precisam de saídas de campo, uns mais e outros menos. Quanto ao curso de Educação no Campo, trabalhamos com tempos e espaços diferentes, há o tempo na universidade e os meses em comunidade. No tempo da universidade, é preciso fazer um arranjo para se conseguir transporte, por vezes apelando a outras unidades. No tempo da comunidade, os professores vão às regionalizações, distantes das cidades. Diminuímos muito essas idas, antigamente a frequência era maior. Hoje condensamos esses tempos. O nosso curso tem um perfil prático e muitas vezes nos furtamos de levar adiante certas atividades pela dificuldade, pela ausência de viaturas disponíveis, já que outros cursos do campus também demandam as saídas”.


O caso de Dom Pedrito, entretanto, não é único no catálogo de dificuldades da instituição. A reportagem da Sesunipampa ouviu relatos semelhantes oriundos de outros campi que, devido à escassez de recursos, insuficiente oferta de veículos e mesmo dificuldades para ter acesso a combustível, precisam improvisar ou diminuir as saídas com finalidade pedagógica – ainda que sejam práticas obrigatórias e insubstituíveis. Vinicius Dalbianco, docente da Unipampa, relata as condições encontradas no campus de Itaqui: “com relação à infraestrutura, percebemos um envelhecimento da frota, sem reposição de veículos. Os recursos para manutenção da frota e combustíveis são escassos, impossibilitando muitas atividades de campo, como ocorreu no ano de 2022. Necessitamos de ampliação e renovação da frota, aporte de mais recursos para manutenção e combustíveis, além da manutenção e em alguns casos de ampliação do quantitativo de motoristas”.


A menção ao envelhecimento da frota de veículos mantida pela instituição também foi apontada como precária na realidade de Dom Pedrito. Para Carla Crivellaro, o mau estado dos carros que cotidianamente transportam estudantes e professores pode comprometer até mesmo a segurança das viagens. “Temos uma carência muito grande de veículos, um micro-ônibus sem condições de andar longas distâncias, carros que não estão em condições de andar em estradas que não são as de asfalto. É também uma questão de segurança e saúde, por vezes acabam sendo saídas [de campo] perigosas. Os carros são precários, alguns não têm capacidade de atender as demandas do curso. Quanto aos motoristas, são apenas dois profissionais aqui no campus, então nem sempre estão disponíveis para atender. Por vezes – várias vezes – os próprios docentes precisam arcar com as despesas das viagens, por conta dos horários, turnos, exigências de cada viagem”, descreve a docente.


Cabe lembrar que, em 2023, as universidades brasileiras receberam do governo uma recomposição orçamentária que busca se aproximar dos patamares de recursos referentes ao ano de 2019. Entretanto, esses números ainda são insuficientes. Foram cerca de R$ 8,1 milhões destinados a ações de custeio e manutenção na Unipampa, que agregam contratos de terceirizados, como os motoristas, e valores para combustíveis, além de R$ 2,2 milhões para investimentos, que podem ser alocados nas compras de veículos. Como agravante, há atualmente a preocupação com a aprovação do chamado Novo Arcabouço Fiscal, que, aprovado do jeito que está a atual proposta, limitará investimentos conforme as margens do aumento de arrecadação do país – condição que pode congelar os valores investidos em Educação.


Outro tema apontado à reportagem é o desequilíbrio das condições de transporte encontradas em cada campus, com unidades em que há forte presença de atividades rurais (como Dom Pedrito, Itaqui, Caçapava do Sul) menos abastecidas do que outras em que as saídas não são tão frequentes. “A universidade precisa compreender que, diferente da realidade de alguns outros campi, o transporte nestes campi [Itaqui e Caçapava do Sul] não é um mero instrumento auxiliar da burocracia, utilizado para visitas institucionais e reuniões. Este não é um gasto opcional, mas um dever da universidade que oferece determinados cursos. O curso de Geologia, por exemplo, tem previsto nas Diretrizes Curriculares Nacionais uma carga horária mínima de 720 horas de trabalho de campo”, afirma o professor Giuseppe De Toni, docente em Caçapava do Sul e integrante da diretoria da Sesunipampa. Ele denuncia ser “de emergência” o cenário do transporte observado no campus.


Para a diretoria da Sesunipampa, além da precarização generalizada no âmbito da universidade pública, poderia haver mais interesse por parte da administração da Unipampa no que diz respeito às peculiaridades e necessidades de cada um dos cursos. “Acredito que existe na Unipampa uma inversão de prioridades, com priorização de atividades da gestão superior sobre algumas atividades de ensino, sendo que estas são a atividade-fim da universidade. Um exemplo é a forma como se calcula a distribuição de verba disponível para combustível e manutenção veicular entre os campi. Um dos fatores considerados é a distância entre o campus e a Reitoria da universidade. Por outro lado, não se considera a demanda das atividades obrigatórias de ensino. Estamos operando no limite, restringindo atividades de ensino ao mínimo necessário e deixando de comparecer em localidades mais distantes, que seriam pedagogicamente mais adequadas, por falta de combustível ou mesmo de segurança, com veículos avariados. Ao mesmo tempo vemos os gestores ostentando veículos novos em visitas que fazem aos campi”, afirma De Toni, diretor da seção sindical .


Para a Sesunipampa, a situação do transporte é central para que pensemos a educação pública de maneira socialmente referenciada, que dialogue com as demandas das comunidades das regiões onde os campi estão localizados. O investimento em diárias e frota adequada e a contratação de novos motoristas – em seus termos urgentes – são essenciais para a garantia de condições dignas de trabalho para os servidores e servidoras, que levam a Unipampa a espaços em que a universidade não costumava alcançar. Além disso, garante aos e às estudantes, uma formação qualificada, fortalecendo a importância da Universidade como referência para a sociedade.







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1 Comment


guilhermehowes
Jun 01, 2023

excelente reportagem, parabéns à sesu

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