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Liderança indígena Ka’apor sofre atentado no Maranhão e indígenas suspeitam de madeireiros

01 de fevereiro de 2022


Indígenas Ka’apor lutam há anos pela retirada dos invasores de seu território tradicional. Foto: Povo Ka’apor


Uma liderança indígena Ka’apor foi vítima de uma emboscada no município de Santa Luzia do Paruá, no Maranhão, no dia 22 de janeiro. A liderança estava em um carro acompanhado quando três caminhonetes e um carro se aproximaram. O motorista de um dos veículos apontou em direção à liderança e fez ameaças. As vítimas usaram um restaurante próximo como abrigo e, depois, se dirigiram até a delegacia de polícia, onde aguardaram por três horas, mas não foram atendidas.


Com o descaso ocorrido na delegacia, as vítimas fizeram contato com outras lideranças Ka’apor, com a Sociedade Maranhense de Direitos Humanos (SMDH), com o Conselho Indigenista Missionário (Cimi) e com o Programa de Proteção aos Defensores de Direitos Humanos, Comunicadores e Ambientalistas (PPDDH) do Maranhão. Após pressão das lideranças e entidades, a Secretaria de Segurança Pública foi acionada e a Polícia Militar fez a escolta da liderança até a comunidade indígena, localizada no município de Nova Olinda (MA). Até o momento, não houve manifestação dos governos estadual e federal, por meio da Fundação Nacional do Índio (Funai).


De acordo com o povo Ka’apor, o ataque foi orquestrado por madeireiros depois que indígenas fecharam o ramal madeireiro e impediram a extração e a retirada ilegal da madeira do Território Indígena Alto Turiaçu. O território fica na fronteira com o Pará, na Amazônia maranhense, e se estende por áreas de alguns municípios maranhenses. É uma das últimas áreas de floresta amazônica no Maranhão.

Apesar de ser homologado, o território sofre invasões ilegais de madeireiros, caçadores, grileiros e pressão de mineradoras. A extração de madeira ilegal conta com a omissão do governo estadual, das polícias locais e federal e com a conivência de órgãos federais, como o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e a Funai, segundo os indígenas.


Em carta aberta à sociedade, 170 organizações denunciaram a omissão dos governos e a conivência dos prefeitos locais com a situação. “Muitos prefeitos da região, que são do mesmo partido ao qual o Presidente da República pertence (PL), já se anteciparam autorizando a abertura de garimpos no município, e apoiam extração ilegal de madeira no território Ka’apor”, denunciam no documento. Além disso, as entidades alertam também que vereadores e prefeitos estariam envolvidos com a retirada ilegal de madeira e a extração de ouro em outras áreas de proteção.


“A madeira e o ouro extraídos nos territórios indígenas são comercializados nos circuitos locais, nacional e internacional. Denúncias na grande imprensa informaram que o ex-ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, viabilizou a exportação de madeira extraída criminosamente da Amazônia e que até o vice-presidente da República, Hamilton Mourão, estaria envolvido nas negociações da extração ilegal de ouro na região”, contam.


“Exigimos a imediata proteção aos Ka’apor, a investigação e prisão dos criminosos que extraem ilegalmente madeira do território indígena, que estão perseguindo, ameaçando e planejam agredir e cometer assassinatos de suas lideranças, como aconteceu anos anteriores, sem que os mandantes e executores fossem penalizados”, ressaltaram as entidades.



Fonte: Andes-SN, com informações de Cimi Regional Maranhão e Conselho de Gestão Ka’apor Tuxa Tá Pame


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