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Marcas do ensino remoto no retorno à presencialidade na Unipampa



Depois de quatro semestres em que os processos de ensino remoto foram predominantes na instituição, a Unipampa – bem como a maioria das universidades brasileiras – retomou as atividades em caráter presencial, tal como ocorria antes da irrupção da pandemia do coronavírus. No entanto, o longo período de distanciamento e de transmissões virtuais deixaram marcas importantes – e algumas, graves – nas condições de ensino e aprendizagem, na relação de estudantes com a universidade e na forma com que docentes e o pessoal técnico em educação observam o processo da virtualidade no ensino nas universidades públicas.


Para a docente Juliana Brandão Machado, do campi Jaguarão da Unipampa, “o processo de ensino remoto foi desenvolvido com pouca orientação por parte da gestão superior. Houve um aglomerado de formações virtuais aos professores, mas fortemente focadas em práticas instrumentais, que se referiam a como operar ferramentas. E poucas (ou quase nenhuma) discussão sobre os processos que são implicados na dinâmica virtual. Somando isso às dificuldades de acesso pelos estudantes, os quatro semestres de ensino remoto foram de trabalho individualizado por cada docente, e que representaram em uma diminuição das frequências e participações pelos estudantes”.


À ausência de debates direcionados às dinâmicas de ensino na virtualidade, somou-se, de acordo com Juliana Machado, que é coordenadora do Programa de Pós-graduação em Educação da Unipampa e integrante da diretoria da Sesunipampa, a dificuldade das condições materiais, principalmente entre estudantes. Se a implementação do ensino remoto multiplicava as exigências, o caso é que não houve a ampliação dos recursos necessária para o desenvolvimento das novas atividades: “é necessário falar do acesso à internet e equipamentos de tecnologia. Todos os envolvidos nesse processo tiveram que prover seus equipamentos e custear individualmente o acesso à rede. Do ponto de vista dos estudantes, a precariedade foi instaurada de maneira muito grande, pois o acesso à internet foi repassado com a mudança da rubrica do auxílio-transporte. Ou seja, não houve incremento financeiro na assistência estudantil, e sim mudança de rubrica”.


“Sabemos que a conexão online via dados móveis não se sustenta. Portanto, muitos estudantes tinham dificuldade de acessar a aula síncrona e interagir com o docente. Também muitos estudantes não tinham equipamentos adequados. Desenvolver componentes curriculares apenas com smartphone (uma realidade vivenciada por muitos estudantes próximos a mim) era um convite ao abandono”, relata a professora, que menciona a gravação das aulas para o acesso posterior dos estudantes e a flexibilização das avaliações como alternativas encontradas para permitir o acesso mínimo desses estudantes às atividades.


A fragilidade dos vínculos entre estudantes e a universidade, a impossibilidade de acompanhar os caminhos do ensino remoto de maneira adequada ao longo da pandemia – o que precarizou gravemente o processo pedagógico – e as incertezas relativas ao recomeço do modelo presencial deixaram marcas hoje bastante visíveis nos campi da Unipampa, mas não só: trata-se de um vazio recorrente nas instituições de ensino superior do país, principalmente nas que se localizam em cidades do interior dos estados.


“O campus Jaguarão está esvaziado. As turmas em que atuo costumavam ter de 40 a 50 estudantes matriculados antes da pandemia. Hoje tenho no máximo 15. Muitos estudantes que ingressaram no período de ensino remoto estavam em outras regiões do Brasil e não vieram dar continuidade ao curso presencialmente, e poucos se matricularam para o ingresso nesse ano”, afirma Juliana Machado.


Hoje, já sem a vigência do ensino remoto levado adiante durante a pandemia, a virtualidade na Unipampa se limita a atividades pontuais e à oferta de cursos na modalidade Educação a Distância (EAD). De acordo com a instituição, hoje a Unipampa mantém nessa modalidade o curso Licenciatura em Letras – Português e oferece outros seis cursos (cinco licenciaturas e um bacharelado) em convênio com a Universidade Aberta do Brasil (UAB). Quanto à pós-graduação, há dois cursos de especialização em EAD oferecidos diretamente pela instituição e outro seguindo o convênio já referido com a UAB.


“O projeto de expansão da modalidade EAD tem diversas facetas. Por um lado, nasce com uma ideia de expansão e interiorização da formação universitária, bem como para atender as exigências da formação docente em nível superior. No entanto, também é um projeto de mercantilização da educação. Considero que pode haver bons projetos de educação a distância, mas as experiências que tenho acompanhado nos últimos anos me fazem defender a universidade presencial, que atue na tríade ensino, pesquisa e extensão, com a inserção da comunidade e com vistas ao desenvolvimento regional. Esse é, inclusive, o compromisso da criação da Unipampa”, finaliza a professora Juliana Machado.


*Ilustração: Freepik.com

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