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MST busca reforçar as lutas por reforma agrária e articulação com a Unipampa



Está em curso no Congresso Nacional mais uma tentativa de criminalização do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra, desta vez a partir de vias que buscam ser as institucionais e que se amparam nas prerrogativas dos legisladores. A chamada “CPI do MST”, instaurada no mês de maio, há semanas tenta deslegitimar o histórico de lutas do Movimento e, após anos de ataques ininterruptos por parte do governo anterior, reiterar o intento de criminalização das pautas e práticas dos homens e mulheres do campo.

No contexto local, a Unipampa está situada numa zona de grandes assentamentos de reforma agrária – e também de grandes latifúndios. Essa relação da universidade com o campesinato precisa ser fortalecida, para que jovens dos assentamentos tenham acesso a uma instituição pública, principalmente nos cursos ligados às questões rurais – é o que dizem as pessoas entrevistadas nesta reportagem.


Um dos maiores produtores de alimentos orgânicos da América Latina, o MST teve, nos últimos anos, de dedicar parte importante da energia dos seus assentados, dirigentes e militantes para se organizar frente a uma ofensiva da direita brasileira. Encastelada na presidência da República, nos altos ministérios, nas forças armadas e em representantes do agronegócio, essa ofensiva tratava os meios de reivindicação historicamente levados adiante pelo Movimento como práticas criminosas e denunciava os vínculos (também eles construídos ao longo de décadas) com a sociedade civil e parte da esquerda política como se proibidos fossem. Após o desfecho do governo Bolsonaro, essa mesma ofensiva agora se transporta para o Congresso Nacional e assume os trajes pouco sérios desta CPI.


“A gente observa de longe as tentativas de criminalização do movimento, as tentativas de desviar o foco das falcatruas do governo Bolsonaro. Não é a primeira CPI contra o MST e mais uma vez não temos nada a esconder da população brasileira. A verdade é que o MST é o principal produtor de alimentos orgânicos deste país, penso que [depois das sessões] é isso que vai ficar muito claro para a sociedade”, afirma Jair Xavier, ex dirigente estadual do MST, assentado e estudante do curso de Educação do Campo na Unipampa e presidente da Associação Escola família Agrícola - AEFASUL. Xavier também é funcionário da Escola Família Agrícola, localizada no município de Canguçu. “O conhecimento científico é importante para permanecer no campo com qualidade de vida”, diz.


Para Carine Diaz, assentada do MST em Santana do Livramento e estudante da Unipampa em Dom Pedrito, o atual momento é de resistência às ofensivas organizadas a nível nacional: “a nossa resistência vai se dar por três aspectos: o primeiro é de restaurar nossa organização que está fragilizada depois deste período de retrocessos; o segundo é seguir produzindo e também fazendo campanha com conjuntos da sociedade, para demonstrar que nós não buscamos apenas acesso à terra, mas sim a construção de uma sociedade diferente; e por fim, continuar articulando com as forças esquerda do conjunto da sociedade”. E, quanto às articulações, um dos elos mais relevantes deste processo se dá com a universidade pública.


“A relação com a universidade pública é mais do que importante, principalmente pela produção da pesquisa científica – necessária para os avanços da agricultura orgânica – e a formação das nossas juventudes nos assentamentos”, opina Jair Xavier, para quem a Unipampa precisa assumir um papel ainda mais protagonista neste contexto de articulações necessárias.


Carine Diaz afirma que o acesso à terra e o acesso à universidade pública foram dois direitos historicamente negados aos pobres e aos agricultores no Brasil, e que a correção dessa desigualdade de fundo precisa se dar em várias direções. “Com as vagas destinadas a estudantes de baixa renda, a indígenas e quilombolas, finalmente aumentaram as chances de poder ingressar numa universidade pública, e essa diferença hoje felizmente é notada na Unipampa”, relata. Em uma carta assinada por artistas, militantes, juristas, economistas e representantes de diferentes setores da sociedade em defesa do MST (www.mstemdebate.com.br), o acesso à universidade pública aparece mencionado como uma das principais reivindicações históricas do próprio Movimento Sem Terra.


Outro desafio é a permanência de discentes na universidade, pois as políticas de assistência estudantil oferecidas pela Unipampa ainda são precárias. Em distintas ocasiões, em 2021 e 2022, o MST, junto com a Sesunipampa, realizou ações de solidariedade, com doações a estudantes em contextos de insegurança alimentar – situação que se agravou nos momentos em que estiveram fechados os restaurantes universitários. No caso de 2021, participaram também o Sindipampa e o Curso de Educação do Campo.


A Sesunipampa entende que a universidade precisa ser um espaço aberto à construção do conhecimento com participação dos movimentos sociais. “O MST é um dos maiores movimentos sociais da América Latina, protagonista na discussão da agroecologia, soberania alimentar, e da própria reforma agrária. É por isso que o agronegócio se utiliza de todos os meios possíveis – como a CPI – para criminalizar sua atuação. Por mais de uma vez, a Sesunipampa mediou a distribuição de alimentos doados pelo MST e destinados a estudantes que enfrentam as carências provocadas pelos cortes no orçamento e a precarização das políticas de assistência estudantil. Enquanto seção, e mais amplamente, enquanto parte do ANDES-SN, sempre estaremos ao lado do movimento, em defesa da reforma agrária, da soberania alimentar e da produção agroecológica”, afirma Guinter Tlaija Leipnitz, membro da diretoria da Sesunipampa.


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