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Na pesquisa, docentes da Unipampa resistem em tempos de cortes orçamentários e ataques à educação




Fazer pesquisa em “tempos de sobrevivência” e levar adiante qualificados projetos de investigação, sob um panorama “de desvalorização da ciência”: para pesquisadoras e pesquisadores da Unipampa, não são simples as dificuldades que o momento nacional oferece a quem busca manutenção ou a ampliação dos seus projetos de pesquisa. À reportagem da Sesunipampa, relataram os trabalhos em andamento e os obstáculos que se ergueram nos últimos anos.


O professor Jeferson Luis Franco, docente da Unipampa no campus de São Gabriel e coordenador Programa de Pós-Graduação em Ciências Biológicas, relata que, no momento, “nossos projetos de pesquisa estão focados em responder perguntas sobre os impactos na saúde humana e ambiental de alguns compostos, como fungicidas, inseticidas e compostos voláteis, amplamente presentes no meio ambiente e em nossas casas. Buscamos também descobrir soluções para o tratamento de doenças relacionadas à exposição a estes compostos”.


Franco conta que, durante a pandemia, a estrutura e os recursos humanos dos laboratórios da instituição foram destinados para a realização de testes PCR para a Covid-19: “foram mais de 60 mil testes, de forma voluntária e gratuita, oferecidos para 16 municípios da região”.


Leonor Simioni, docente da área de Letras do campus de Jaguarão e coordenadora da Comissão Local de Pesquisa da unidade, relata que atualmente trabalha em dois projetos de pesquisa junto à Unipampa: “um deles trata da descrição do português falado no Uruguai como língua de herança, e o outro trata de questões relativas ao ensino de gramática na escola”.


Quando respondendo sobre “as condições para a pesquisa” que observam no presente da universidade brasileira e mais especificamente da Unipampa, coincidiram na menção à desvalorização da ciência e da pesquisa, além de mencionar questões distintas. Para Jeferson Franco, “as condições atuais na universidade são realmente de sobrevivência, de tentar se manter vivo em um ambiente cada vez mais tóxico no sentido de poucas oportunidades, pouco financiamento para a ciência, desvalorização do cientista e do professor”.


Para Simioni, o país “está vivendo um momento de desvalorização da ciência que se manifesta de diferentes formas, desde cortes orçamentários até ataques ao conhecimento científico e desconfiança quanto à sua legitimidade. O próprio estabelecimento de “áreas prioritárias” por parte do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações acaba fomentando a ideia de que algumas pesquisas são mais importantes ou relevantes do que outras e que merecem maior apoio e financiamento, contribuindo para a desvalorização da pesquisa nas áreas consideradas não prioritárias”.


Os recentes cortes no orçamento das universidades públicas brasileiras, que podem deixar o funcionamento normal de diversas instituições ameaçado em poucos meses, somados ao desgaste provocado pela pandemia, são apontados como um dos fatores de maior preocupação quanto ao futuro imediato. “A minha pesquisa, particularmente é muito cara. Depende de insumos, de química fina, de instrumentação analítica, algo inexistente no nosso país. Os produtos são importados. Com a atual política do dólar, é quase impossível comprar esses equipamentos. Quanto aos insumos, da mesma forma, tudo vem de fora a preços impraticáveis. Somando a isso tudo, há os cortes, o que inviabiliza avanços na fronteira do conhecimento, inovação e nos torna pouco competitivos”, afirma Jeferson Franco.


“Os equipamentos vão quebrando e você não consegue repor ou consertar, os reagentes químicos vão sumindo da prateleira e você precisa buscar alternativa, muitas vezes cientificamente inviável, e com isso a qualidade da pesquisa desaparece. É uma sensação de estrangulamento”, prossegue o docente do campi de São Gabriel.


Leonor Simioni, por sua vez, afirma que “a realização de trabalho de campo é impossível sem recursos” e assinala que, sem as verbas necessárias para a adequada realização das atividades, muitas vezes o próprio pesquisador acaba “custeando o projeto com recursos próprios para poder levar adiante a pesquisa”.


Na mesma via dos cortes orçamentários, a universidade brasileira também se depara com recorrentes diminuições nas bolsas de pesquisa e de iniciação científica, destinadas a estudantes de graduação e pós-graduação. Leonor Simioni explica que “boa parte da produção científica brasileira é produzida nas universidades, em programas de pós-graduação, cujos estudantes são financiados principalmente por bolsas de estudo. Sem as bolsas (cujos valores se encontram defasados há anos), é preciso buscar outras fontes de renda, com a consequente diminuição do tempo dedicado à pesquisa, ou mesmo seu abandono”. “As universidades se estruturam a partir dos eixos de ensino, pesquisa e extensão. A falta de financiamento tem impacto sobre os três, mas, especificamente em relação à pesquisa, uma universidade que não produz conhecimento está abrindo mão de uma de suas missões”, conclui a pesquisadora.


Ilustração: Freepik.com

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