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Nota da Diretoria da Sesunipamapa em apoio à mobilização estudantil no Consuni

A diretoria da Sesunipampa vem a público se manifestar em apoio ao grupo de estudantes que realizou protesto contra a falta de políticas de permanência na Unipampa, durante a última sessão do Consuni.


O ato das e dos estudantes foi legítimo, contando com grupos de discentes que têm enfrentado uma assistência estudantil precária, agravada ainda mais com o fechamento dos RUs, decorrente de problemas de planejamento da gestão. Esses estudantes não tiveram ação de emergência eficiente, que pudesse conter a vulnerabilidade alimentar e psicológica causada por tal processo de precarização, denunciado por diversos campi em atos e ocupações no último mês. Coube à comunidade universitária organizar mutirões de ação de solidariedade para viabilizar alimentação dos/as estudantes. A Sesunipampa se somou a essa atividade realizando campanha de doações de cestos básicos, e também kits de alimentação orgânica junto ao Movimento das trabalhadoras e dos trabalhadores rurais Sem Terra, o MST.


O ato estudantil, ocorrido durante solenidade importante de reconhecimento ao grande militante e intelectual Oliveira Silveira, não desrespeitou a trajetória de lutas e a figura desse saudoso companheiro. Pelo contrário: quem esteve lá pode perceber que estudantes exaltaram, na leitura da nota pública, a memória e a trajetória de Oliveira, demarcando que, se estivesse vivo, se colocaria solidário às demandas por assistência estudantil digna. Lembrado como um intelectual que prezava por uma leitura materialista e dialética da realidade social, os estudantes levantam a reflexão de que ele possivelmente teria mediado e se somado às reivindicações, pois representam a continuidade de lutas pela permanência e a viabilização das ações afirmativas na universidade. O ato foi realizado com a participação de estudantes negros e negras, que estavam denunciando a precariedade das políticas e criticando a atual gestão, e não ocorreu interrompendo discursos ou agredindo quem estava na atividade. Foi pontual, com leitura de uma carta com reivindicações, e logo encerrado para que a solenidade se realizasse.


Lamentamos posturas que procuram deslegitimar a ação estudantil como um ataque à pauta antirracista. Isso expressa posição contraditória quando aponta a necessidade de combate ao racismo estrutural, mas ao mesmo tempo repudia estudantes, inclusive muitos deles/as negros e negras, que lutam por alimentação e dignidade. Aprendemos com Audre Lorde que “não existe hierarquia da opressão”, que liberdade se constrói a partir de um futuro viável às próximas gerações, na busca por uma existência pacífica, na qual um grupo oprimido não tenha seu direito à liberdade, ancorado na opressão de outro grupo.

É fundamental que as contradições expostas a partir do ato protagonizado pelo referido grupo de estudantes, sejam analisadas de forma crítica, contundente e com o diálogo que a construção de liberdades democráticas nos exigem. Não é demais lembrar que a falta de políticas de assistência estudantil e a insuficiência de ação por parte da reitoria, motivos que levaram ao protesto, justamente acentuam as desigualdades e a reprodução do racismo, uma vez que estudantes negros/as e periféricos/as são os que mais sofrem com isso. O "ataque" está na precarização das condições concretas de acesso e permanência de estudantes no ensino superior público, em especial daquelas e daqueles que buscam manifestar-se democraticamente.

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