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Nota da Sesunipampa diante do processo de retorno às atividades de ensino no cenário dos extremos climáticos


A Diretoria da Sesunipampa vem, por meio desta nota, externar seus posicionamentos diante do processo de retorno às atividades de ensino no cenário dos extremos climáticos que acometem o estado do Rio Grande do Sul. Em documento anterior, já manifestamos nossa solidariedade em relação às vítimas das enchentes no estado, que não é obra do acaso, e sim consequência do modelo de sociedade governada pela busca incessante do lucro em detrimento do equilíbrio ambiental, bem como resultado da submissão de governantes a esses interesses.


Diante da situação de calamidade, a reitoria da Unipampa optou pela suspensão das atividades de ensino, desde o dia 2 de maio até o último dia 18. Na semana passada, em comunicado divulgado na quarta-feira, 15 de maio, externou à comunidade acadêmica o retorno às atividades desde o dia 20, e a partir da publicação da Instrução Normativa nº 5, de 17 de maio, orienta sobre os critérios para este retorno.


Dados esses procedimentos, manifestamos questionamentos em relação a dois pontos: 1) o processo de tomada de decisão que redundou na IN nº 5; e 2) a não-consideração de prorrogação do calendário acadêmico.


São de público e notório conhecimento os impactos que as enchentes têm causado no Rio Grande do Sul: além das vítimas diretas, pessoas desaparecidas e desabrigados, danos à infraestrutura de inúmeras estradas, aeroporto, moradias, patrimônio cultural, sem mencionar os danos econômicos, desabastecimento, acesso à água potável, alimentos, energia elétrica, entre outros. Entendemos que a dimensão da calamidade afeta o estado como um todo, embora em diferentes intensidades. O momento exige muita sensibilidade e solidariedade.


É justamente por isso que questionamos o modo de retomada conforme está expresso na IN nº 5. Apesar do tempo prolongado de suspensão das atividades, o retorno ocorreu de forma abrupta, sem que tenha havido um amplo diálogo com a comunidade acadêmica ou ao menos com os coordenadores acadêmicos e de cursos. Além disso, cabe ressaltar que a única consulta a comunidade acadêmica sobre a situação em que se encontravam em meio à calamidade climática e suas possibilidades (ou preferências) de retorno às atividades de ensino, foi conduzida pelos representantes discentes.


No que concerne às disposições específicas que a IN nº 5 estabelece para a realização das atividades de ensino a partir dessa retomada, se evidencia uma série de contradições. Compreendemos que, se o momento é delicado e exige uma transição no processo de retomada, no qual se deve considerar os efeitos traumáticos causados pela situação, bem como restrições de ordem logística, a prorrogação do calendário acadêmico - que foi momentaneamente suspenso por duas semanas e meia - deveria ser aventada, antes da adoção de medidas que mais uma vez abraçam a modalidade remota como solução. Pelo contrário, a IN nº 5 mantém o calendário inalterado e sugere que eventuais extensões do mesmo sejam solicitadas por cada campus mediante justificativa própria, relegando essas discussões e a solução das contradições ao fórum interno de cada campus. Privilegia-se assim a preservação de um calendário rígido, ao invés de uma uma estratégia de retomada das atividades com tempo e qualidade. Dentro deste escopo, as alternativas sugeridas expressam ambiguidades quanto a sua coerência interna, com critérios dispersos, a partir de uma pretensão de um suposto amplo leque de possibilidades (atividades assíncronas, “aulas gravadas”, “atividades pedagógicas não-presenciais”, ...). Mas mais do que isso, ainda que se apresente como dialogando com uma ideia de cuidado e sensibilidade para com a situação de calamidade, parece simplesmente apontar para uma necessidade apressada de se cumprir o calendário e dar resolução ao represamento das aulas não realizadas durante o período de suspensão. Importa ressaltar que não seria a primeira vez a se adotar, depois de discussão nas instâncias devidas da universidade, a prorrogação do calendário, de forma a se preservar, com todas as limitações impostas, a qualidade do ensino.


Nós da Diretoria da Sesunipampa compreendemos muito bem as urgências do momento, e junto a nossa base, temos dirigido esforços para ações de solidariedade, no âmbito tanto de cidades-sede da Unipampa quanto de outras regiões do estado criticamente impactadas. É por isso que trazemos nosso posicionamento crítico diante dos procedimentos adotados pela reitoria, e primamos pela preservação da qualidade no restabelecimento das atividades de ensino. O acolhimento da comunidade acadêmica diante dos impactos das enchentes demanda cuidado, e muita atenção à preservação das atividades de ensino, sem soluções apressadas. Necessitamos de um retorno gradativo, que nos permita não acumular tarefas ou gerar sobrecarga de atividades online, cujas condições de participação efetiva de estudantes não nos é garantida, justamente pelo cenário de escassez. É momento de se buscar compreender de que forma a comunidade acadêmica foi atingida pelos eventos climáticos extremos e avaliarmos, cotidianamente, as alternativas viáveis ao encerramento do semestre, em cada campus, salvaguardando a qualidade do ensino, o acolhimento aos estudantes e a atuação da universidade pública no trabalho de reconstrução que enfrentaremos nos próximos meses.

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