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Prefeitura de Jaú demite professora que denunciou falta de EPI’s no combate à covid-19

03 de setembro de 2021


Professora Cristiane Banhol


Em uma clara manobra de perseguição política, a prefeitura de Jaú (SP), exonerou a professora da rede municipal Cristiane Banhol, na segunda-feira (30). A demissão ocorreu após a denúncia feita pela servidora em relação à falta de EPI’s (Equipamentos de Proteção Individual) para os trabalhadores da Sáude que estão na linha de frente no combate a covid-19.


Em resposta ao autoritarismo cometido pela administração do prefeito Ivan Cassaro (PSD), a CSP-Conlutas iniciou uma campanha pela reintegração imediata da Profª Cris. A mobilização também denuncia o caráter político da exoneração, visto que Cris foi candidata a prefeita da cidade pelo PSTU e faz parte do coletivo Reviravolta, na Apeoesp, e da CSP-Conlutas.


Além de artes e outros materiais para a divulgação do caso nas redes sociais, também está sendo organizado um manifesto/abaixo-assinado que irá buscar o apoio de diversas organizações de trabalhadores. Você pode ter acesso ao documento clicando aqui.


Entenda o caso

No início da pandemia, em 2020, Cristiane sofreu um processo pela administração do então prefeito de Jaú, Rafael Agostini (PSB), após questionar as péssimas condições de trabalho enfrentadas pelos profissionais que estavam na linha de frente no combate à doença.


Ela também denunciou uma série de irregularidades que poderiam intensificar o avanço do coronavírus nos estabelecimentos de saúde pública. Além disso, Cristiane também se notabilizou como uma liderança pelo Fora Bolsonaro na região.


A resposta da prefeitura foi suspender a servidora por 15 dias de suas atividades na Escola Municipal Pouso Alegre de Baixo. Em maio de 2021, sem nenhuma justificativa, o atual prefeito Ivan Cassaro (PSD) desarquivou esse processo e, três meses depois, determinou a exoneração, numa evidente atitude de perseguição política.


A demissão de Cristiane ocorreu em 30 de agosto, no dia de seu aniversário.


Educadores perseguidos

A perseguição à Profª Cris ocorre em um momento de crescente assédio contra educadores que se posicionam contrários ao governo de Jair Bolsonaro. Na quinta-feira (2), no Mato Grosso, uma professora foi hostilizada por manifestantes bolsonaristas com o respaldo da direção da escola em que trabalha.


Já em Bauru (SP), na quarta-feira (1), a Polícia Militar esteve na casa e na escola em que trabalha o Coordenador da Subsede da Apeoesp na cidade. O educador chegou a ser retirado da sala de aula, o que causou constrangimento entre colegas de trabalho, alunos e vizinhos.


A motivação apresentada pelo policial militar era de que a inteligência da PM o havia identificado como organizador do ato Fora Bolsonaro convocado para o dia sete de setembro. A exigência era de que ele deveria mudar a data e o local do ato imediatamente.


“A demissão da professora Cris é uma atitude completamente autoritária, antidemocrática e política do prefeito, que tenta calar quem defende a vida e os direitos da nossa classe. Primeiro porque ela não é funcionária da saúde e sim da educação. Qual é a explicação do prefeito para demití-la de seu cargo na escola pública? Não há!”, alerta Flávia Bischain integrante da Executiva Nacional da CSP-Conlutas e diretora da Apeoesp.


“Depois, porque ela foi punida injustamente pela segunda vez sob a mesma falsa acusação, o que é completamente irregular. Isso é inaceitável! É imprescindível todo apoio e solidariedade à companheira! Nós da CSP Conlutas reforçamos o chamado a todas as entidades, movimentos e lutadores pra fortalecer a luta pela reintegração imediata da professora e contra qualquer perseguição aos lutadores”, conclui.


Confira o manifesto em defesa da Professora Cristiane:


PROFESSORA DA REDE MUNICIPAL DE JAÚ É DEMITIDA POR DENUNCIAR FALTA DE EPIs PARA OS PROFISSIONAIS DA SAÚDE


Em solidariedade à Cristiane Banhol, professora de educação básica no município de Jaú/SP, alvo de demissão, por determinação do prefeito Jorge Ivan Cassaro (PSD).


Um Processo Administrativo Disciplinar foi aberto, no ano passado, contra a professora Cristiane Banhol por participar de uma campanha na cidade de Jaú, junto à Associação LUTA, denunciando a falta de EPIs (Equipamentos de Proteção Individual) para os profissionais da Saúde que estavam na linha de frente do combate à pandemia no município e reclamavam da falta de máscaras e da reutilização de aventais descartáveis.


O processo ocorreu ainda no final de 2020, sob a gestão do ex-prefeito Rafael Lunardelli Agostini (PSB). Após recurso, a professora cumpriu suspensão de 15 dias e o caso foi encerrado. Agora, o atual prefeito Jorge Ivan (PSD) decidiu, de forma arbitrária e à revelia, passar por cima daquela decisão e punir novamente a servidora, ainda que não tenha ocorrido nenhum fato novo. Desta vez, o prefeito demitiu Cristiane, em uma evidente postura autoritária, antidemocrática, persecutória e juridicamente questionável, pois a servidora está sendo punida injustamente duas vezes pela mesma causa, que sequer está relacionada ao seu trabalho cotidiano como servidora da educação.


Cristiane é uma lutadora, liderança política na cidade, e assumiu um compromisso de estar ao lado das trabalhadoras e dos trabalhadores da saúde na campanha por proteção e condições adequadas de trabalho. Vivemos um cenário caótico no país, nos aproximando de 580 mil mortes por Covid-19. Desde o início da pandemia, casos de irregularidades envolvendo os poderes públicos e o próprio presidente Bolsonaro são denunciados por todo o país. Atualmente, a CPI da Covid no Senado investiga as ações, omissões e negligências do Governo Federal no enfrentamento à pandemia. No âmbito da Prefeitura de Jaú, denúncias são tratadas como “fake news” e acarretam punições aos denunciantes, a exemplo da professora Cristiane Banhol, servindo para ameaçar e punir aqueles que ousam questionar e cobrar da administração pública o uso correto dos recursos públicos e a proteção dos servidores, bem como da população jauense. Trata-se nitidamente de um caso de perseguição política, de caráter antidemocrático, intimidatório e de censura. Desse modo, nos somamos à luta pela reintegração imediata da professora Cristiane Banhol porque entendemos que se trata de uma demissão arbitrária, política, autoritária, uma tentativa de silenciar todas e todos que lutam em defesa do serviço público de qualidade, por melhores condições de trabalho e de vida para a classe trabalhadora. Não podemos aceitar que trabalhadores e trabalhadoras sejam cerceados em seus direitos de lutar e questionar o poder público.


Assim, nós abaixo assinados, nos manifestamos solidários à professora e repudiamos veementemente essa condenação; nos manifestamos para que a Prefeitura de Jaú providencie a anulação dessa punição e reintegre, de imediato, a professora Cristiane Banhol.


Lutar não é crime! Basta de perseguição, censura e punição!


Jaú, setembro de 2021


ASSINATURAS DE ENTIDADES DEVEM SER ENVIADAS PELO LINK:

Email para moções:


Fonte: CSP-Conlutas

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