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"Quem tem fome, tem pressa"

Atualizado: 10 de ago. de 2021

Campanha do MST, Sesunipampa, curso Educação do Campo e Sindipampa, faz doação de alimentos para estudantes da Unipampa


9 de agosto



O Ato em Solidariedade a Estudantes e em Defesa da Universidade Pública irá distribuir cestas básicas com alimentos agroecológicos a estudantes da Unipampa. O ato será realizado no dia 13 de agosto, às 18h, via plataforma Zoom com retransmissão por outras redes.


O ato faz parte da Jornada Nacional da Juventude Sem Terra, da Jornada Universitária pela Reforma Agrária (JURA), pelo centenário de Paulo Freire e está sendo organizado pelo MST, pela Sesunipampa, pelo Sindicato dos Técnico-Administrativos em Educação das Instituições de Ensino Superior da Região do Pampa (Sindipampa), por estudantes da Unipampa e pelo Curso de Educação do Campo - Licenciatura da Unipampa. Suzana Cavalheiro, diretora da Sesunipampa, é uma das organizadoras do ato e estará presente pontuando a importância da ação para estudantes da universidade em situação de vulnerabilidade.


Para Guilherme Gonzaga, que faz parte da construção do ato, e é educador da Educação do Campo, o ato é “um grande esperançar da classe trabalhadora contra as crises”. Para o docente “essas crises acentuadas pela política de morte conduzida pelos governos afeta diretamente os serviços públicos. Em nosso caso afeta diretamente a Universidade Pública e com a Unipampa não é diferente. A política de assistência que já era precária foi ainda mais agravada com o fechamento dos restaurantes universitários, o corte de bolsas e de outras ações, soma-se a isso o agravamento da crise econômica e o aumento do desemprego, várias famílias de estudantes entraram em grave crise alimentar”.


O ato irá disponibilizar alimentos agroecológicos produzidos pelas famílias do MST. Serão distribuídos 1 tonelada de arroz, 400 sacos de 400 gramas de leite em pó, 400 caixas de suco de uva, pelo menos 250 quilos de feijão, além de outros produtos tais como batata doce, abóbora, morango e frutas. Para a distribuição, serão priorizados/as estudantes que estejam em situação de maior vulnerabilidade alimentar.


Segundo Andriele Paiva da Silveira, estudante de História do campus Jaguarão, integrante do Movimento Estudantes por Assistência Estudantil Digna (Movimento EPAED), “fizemos várias tentativas de diálogo com a reitoria desde o início da pandemia com o fechamento do restaurante. Pautamos a possibilidade do fornecimento de marmitas e sempre recebemos negativas. A reitoria disponibilizou cesta básica apenas uma vez e outra vez um kit de alimentos que veio com comida estragada. Não temos uma política efetiva de possibilidade de alimentação”.


O Movimento surgiu em março deste ano como necessidade de organização. Os e as estudantes tentavam diálogo com a reitoria dentro de algumas instâncias da universidade, tais como conselhos, mas nunca tiveram retorno. Devido a isso, resolveram criar o Movimento EPAED para melhor articulação das demandas e mobilização estudantil em defesa de estrutura para permanência universitária. “A nossa demanda mais urgente tem sido a alimentação, seja por distribuição de marmitex, ou de cesta básica”. Contudo, a preocupação dos/as estudantes é também devido a possível não abertura do RU com o retorno presencial por falta de orçamento. Segundo relato de Andriele, “o valor do auxílio está muito longe de ser suficiente. Com o RU nós tínhamos uma alimentação variada, duas vezes por dia, com nutricionista. Recebíamos 80 reais por mês pelos sábados à noite e pelo domingo, dias que o restaurante não abria. O que a reitoria fez foi aumentar 120 reais. 200 reais para o mês inteiro não dá nem pra uma cesta básica”.


O Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST) surgiu como resistência à ditadura e em defesa do acesso à terra para produção de alimento sustentável em contraposição aos interesses do agronegócio que, além de reforçar a concentração de riqueza que contribui para a desigualdade social, é o principal responsável pelo desmatamento, expulsão ilegal de indígenas de suas terras e pela crise hídrica. Com 37 anos de existência, o MST hoje é composto por mais de 370 mil famílias assentadas ao redor do país. Com o apoio da cooperativa Terra Livre, que revende os produtos feitos pelas famílias, o movimento utiliza parte da renda arrecadada para fazer doações. Com isso, tem sido a principal fonte de doação de alimentos desde o início da pandemia para trabalhadores e trabalhadoras e cozinhas comunitárias.


Para Ildo Pereira, dirigente nacional do MST, do Assentamento Hulha Negra, “nós entendemos que a solidariedade é um valor presente e desde a fundação do MST a gente faz esse tipo de ação. Quando iniciou a pandemia a gente definiu politicamente que de acordo com o tamanho do MST era possível sim, pelo histórico de 37 anos, a gente fazer ações para os mais necessitados do ponto de vista da ação de solidariedade”. Sobretudo com o crescimento do desemprego e da fome. Para ele, “o que gera isso é o modelo de agricultura capitalista que centraliza e gera a fome e o desemprego, e com um governo da natureza do nosso país, isso se agrava”.


Ações como essa são fundamentais para o enfrentamento de uma crise concreta, mas também subjetiva. A solidariedade e a responsabilidade social são inexistentes no atual governo, eleito a partir de discursos de ódio e negacionismo. Agir em solidariedade é demonstrar que somente dessa maneira iremos superar a atual crise.


Para o diretor da Sesunipampa, Altacir Bunde, “nosso sindicato desde sua existência tem procurado manter uma relação permanente de solidariedade com outros sindicatos e movimentos sociais que lutam por direitos sociais para a classe trabalhadora e pela reforma agrária. Neste sentido, a Sesunipampa lamenta o silêncio da reitoria em relação às demandas do movimento estudantil e condena à omissão de informações referente ao orçamento da universidade, em especial os relacionados à assistência estudantil”, conclui.


O Sindipampa tem atuado decisivamente em várias ações em defesa dos direitos dos técnicos e técnicas administrativas da Unipampa, mas também de toda comunidade acadêmica, denunciando o descaso da reitoria frente aos diversos ataques feitos à ciência, à educação e à vida pelo governo Bolsonaro.


Os alimentos serão distribuídos a partir do dia 12 de agosto e os primeiros campi a receberem as cestas serão Dom Pedrito, Livramento, Bagé e Jaguarão.


Assessoria Sesunipampa

Foto: Giorgia Prates / Brasil de Fato Paraná

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