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Volta às aulas na Unipampa traz velhos problemas e urgências cada vez maiores


Foto: Ronaldo Estevam/ACS Unipampa

Nesta semana, em que o retorno das aulas nos campi da Unipampa fez com que docentes, estudantes, técnicos e técnicas em Educação voltassem a se encontrar nas atividades da instituição, a percepção de recorrentes problemas e insuficiências também se mostrou às claras. Tal como nos últimos meses do semestre anterior e, em algum dos casos, de maneira mais drástica, o cenário de precarização experimentado pela universidade pública brasileira mais uma vez foi constatado pela comunidade acadêmica.


A despeito do discurso oficial da Reitoria, de que os problemas vêm sendo superados, o que se observa é seu agravamento – a tentativa de omiti-los, na escassez, revela uma estratégia subserviente ao descaso do MEC.


A tragédia orçamentária vivenciada ao longo dos últimos anos ainda se estende e deixa suas marcas em salas de aula, atividades de pesquisa e projetos de extensão. Decisiva para a permanência de estudantes junto à Unipampa, a assistência estudantil ainda se mostra sucateada e frágil. Para o retorno das atividades na instituição, a reportagem da Sesunipampa conversou com pessoas que têm distintas ocupações na universidade, sobre como perceberam e vivenciaram as condições para o ensino, a docência e as demais atividades no âmbito da Educação.


João Carlos Jarosezwski, administrador e técnico na unidade Dom Pedrito da Unipampa, conta que vários problemas antigos persistem ou foram agravados, ao mesmo tempo em que outros surgiram. “Há a necessidade de uma adequada manutenção predial de todo o campus, incluindo os prédios novos, bem como a retomada de obras paradas. Os cortes sucessivos no orçamento das universidades, enfrentados nos últimos anos, no entanto, dificultaram ainda mais as ações neste sentido, o que se refletiu de forma direta na preservação da parte física da universidade”.


“Há falta de espaços de convivência adequados, internos e externos para os alunos. Alguns servidores encontram-se ainda alocados em salas sem ventilação. Outro problema que vem se estendendo há alguns anos é a paralisação total de obras de engenharia de grande porte”, prossegue Jarosezwski.

Para o administrador, o impacto dos cortes orçamentários na atuação de profissionais terceirizados ampliou os problemas cotidianos vividos no campus. “Postos de trabalhos terceirizados foram extintos devido a restrições financeiras. Dessa forma, serviços como manutenção predial, limpeza e agropecuários acabaram prejudicados. Nota-se, ainda, a necessidade urgente destes serviços a partir da falta de urbanização que o campus enfrenta, desde jardinagem até a limpeza dos prédios para desempenho das atividades da universidade. Novas construções foram inauguradas recentemente, mas o número de trabalhadores para a manutenção e limpeza tem sido reduzido nos últimos anos, ao contrário da necessidade”, enumera.


A estudante Ana Clara Goes dos Santos, aluna de Gestão Ambiental em São Gabriel, afirma que a permanência de estudantes no ensino superior tem sido dificuldade por fatores estruturais e também pontuais: conta, por exemplo, que o campus em que estuda permanece sem ofertar moradia estudantil, e que os horários do transporte público são insuficientes para atender a comunidade que se desloca entre os bairros da cidade e a instituição. Também no dia a dia os problemas são verificados com facilidade: Ana Clara cita a precariedade das salas de aula (com goteiras e aparelhos de ar-condicionado que não amenizam o verão do Rio Grande do Sul) e a lentidão dos órgãos competentes da universidade para resolver as demandas mais urgentes dos estudantes.


A continuidade do cenário denunciado em outros meses e semestres é assinalada também por docentes da Unipampa.


“Basicamente as condições de trabalho são as mesmas observadas no semestre anterior, acrescidas do desgaste natural que a infraestrutura tem pelo uso, num cenário em que a manutenção é prejudicada pelas péssimas condições econômicas. O principal ou mais agudo exemplo do campus Caçapava do Sul, a meu ver, é a precariedade da frota de veículos da Unipampa. Apesar do enorme zelo e esforço dos motoristas para sua conservação, os veículos sofrem com o uso intensivo que é demandado pelos cursos que realizam trabalhos de campo com muita frequência”, relata o professor Giuseppe de Toni.

Para o docente de Geologia, foi graças à mobilização estudantil, com o apoio dos profissionais solidários à luta de estudantes, que se impediu uma volta às aulas em uma condição ainda mais delicada. “Acredito que o exemplo mais contundente foi dado pelos estudantes, quando no fim de 2022, ficaram sem bolsas e sem o Restaurante Universitário, o que culminou com uma breve, mas contundente ocupação. Neste contexto, havia estudantes indo realizar trabalhos de campo curriculares que não tinham dinheiro para levar um lanche para o almoço. Ao constatarmos isso, alguns professores e discentes levávamos lanche-extra para compartilhar. Simultaneamente, os estudantes organizaram uma cozinha coletiva na ocupação do campus, com arrecadação de alimentos em diversos estabelecimentos e casas de moradores da cidade, em substituição ao RU que havia fechado”.


“Felizmente, essa situação de desassistência extrema não perdurou muito tempo. Cabe ressaltar que os alimentos arrecadados foram mais que o suficiente, inclusive possibilitando a organização de cestas básicas que os estudantes que permaneceram durante o recesso de fim de ano puderam utilizar para sua manutenção nessa época, em que estavam ainda sem o Restaurante Universitário”, conta Giuseppe de Toni.


Quanto às demais demandas, no entanto, o novo e recém-aberto semestre mostra várias das mais preocupantes continuidades: desta maneira, os próximos meses devem ser palco de novas denúncias e amplas mobilizações.

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